A casa possui data de fundação em 1876, embora seus pavimentos tenham sido concluídos em diferentes etapas ao longo dos anos. Seu primeiro proprietário foi Firmo José de Mattos, cuja firma operava sob a razão social Firmo de Mattos & Cia. Posteriormente, o imóvel foi vendido para Barros & Cia. e, em seguida, transferido para Wanderley, Baís & Cia.
A Casa Comercial Wanderley, Baís & Cia. surgiu em um período de grande dinamismo econômico em Corumbá, quando a navegação pelo rio Paraguai consolidava a cidade como um dos mais importantes entrepostos comerciais do Centro-Oeste brasileiro. Dedicada às atividades de importação, exportação, consignação e despachos, a empresa integrou a intensa rede mercantil que conectava a região pantaneira aos mercados nacionais e internacionais, contribuindo para o desenvolvimento econômico e urbano da então próspera cidade portuária.
Ao longo de sua história, a edificação acompanhou as transformações de Corumbá e assumiu diferentes funções de relevância para a vida local. Em 1916, passou a abrigar a 14ª Agência do Banco do Brasil instalada no município, evidenciando a importância econômica que a cidade alcançava naquele período. Posteriormente, o imóvel sediou o Escritório Técnico da Rede Ferroviária, além de outras instituições e atividades comerciais que marcaram diferentes momentos da trajetória urbana corumbaense.
Sua arquitetura imponente e sua localização estratégica no Porto Geral fazem do edifício um dos exemplares mais significativos do conjunto histórico da cidade. Integrante da área tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o imóvel constitui um importante testemunho material da época em que Corumbá se destacou como centro comercial e ponto de conexão entre o Brasil, os países platinos e o interior do continente sul-americano.
Nas últimas décadas, a antiga casa comercial adquiriu uma nova vocação, voltada à preservação e à difusão da memória regional. Atualmente, o prédio abriga o MUHPAN - Museu de História do Pantanal, instituição dedicada à conservação e à divulgação do patrimônio histórico, cultural e arqueológico da região. Seu acervo reúne importantes referências sobre a ocupação humana do Pantanal, os povos indígenas, a Guerra da Tríplice Aliança, a navegação fluvial, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e as dinâmicas culturais da fronteira entre Brasil e Bolívia.
Mais do que um espaço expositivo, o museu desempenha relevante papel social e educativo, promovendo ações de educação patrimonial e contribuindo para a valorização da identidade regional. Dessa forma, o edifício mantém sua importância para a cidade, preservando não apenas sua arquitetura histórica, mas também a memória coletiva de Corumbá, do Pantanal e da região fronteiriça que ajudou a construir.
COSTA MARQUES, Rubens Moraes da. Trilogia do Patrimônio Histórico e Cultural Sul-Matogrossense. 3. ed. Campo Grande: FCMS, 2024.
IHGMS. Álbum Gráfico do Estado de Mato Grosso. Tomo III. Série Memória Sul-Matogrossense, v. XII. Organização de S. Cardoso Ayala e F. Simon. Campo Grande: IHGMS, 2011.
IPHAN. Corumbá (MS). www.gov.br/iphan